Mais um arco introdutivo

Você entende que o autor pretende fazer algo épico em breve quando temos um arco introdutório, seguido de outro arco introdutório e mais outro arco introdutório, que são respectivamente Sabaody, Ilha dos Homens-Peixe e Punk Hazard. O arco de Sabaody pós-timeskip (volume 61) serviu para reintroduzir os personagens principais após a passagem de tempo de dois anos; a Ilha dos Homens-Peixe (volumes 62-66) foi um resgate da aventura em grupo e um aquecimento para o Novo Mundo; Punk Hazard (volumes 66-70) é uma introdução para o arco de Dressrosa e o cenário do Novo Mundo, apresentando algumas peças de roteiro que começarão a ser movidas deste arco em diante. A sensação aqui é semelhante ao arco de Water Seven, que, em parte, funcionou como uma introdução para Ennies Lobby — os personagens se moveram de um ponto A no primeiro arco para um ponto B no seguinte, a fim de realizar algum objetivo pendente. Embora pareça que essas situações introdutórias estejam enrolando o andamento da trama, na verdade, elas são favoráveis ao seu desenvolvimento, uma vez que o mangá nunca teve pressa em fazer Luffy e seu bando chegarem ao seu destino final. E enquanto a viagem dura, o mundo de One Piece se expande naturalmente.

Humor e desafios

Não bastasse a habilidade em fazer com que uma história de dezenas de volumes mantenha um nível de trama consistente, Eiichiro Oda também não perde a mão ao dosar o humor em seus capítulos. Com um elenco de personagens muito bem caracterizados, a variedade de piadas e situações cômicas, mesmo que levemente repetitivas, ainda são capazes de nos fazer dar gargalhadas. Isso é algo louvável para um mangá que ainda se mantém fiel às suas raízes de aventura e humor, sem decair para a pancadaria desenfreada — como Dragon Ball acabou sendo na fase Z.

Esse arco continua seguindo a fórmula One Piece de aventura, que é fazer os personagens se espalharem em grupos por algum lugar desconhecido e construindo a trama e seus mistérios conforme esses grupos avançam ao longo da aventura, encontrando-se e desencontrando várias vezes para trocar informações, culminando em algum desafio-clímax em que eles precisam se unir para derrotar algum mal que esteja assolando o lugar. Esse mal, no arco de Punk Hazard, é um cientista insano e egocêntrico chamado Caesar Crow, que manipula todos aqueles que o idolatram como cobaias para seus experimentos sem que ninguém saiba. Existe um antagonismo interessante entre Caesar e Luffy, uma vez que o cientista não pensa duas vezes em trair seus “companheiros” que depositam sua fé nele, enquanto que o Chapéu de Palha e seus integrantes possuem total confiança uns nos outros.

Comparado a Ilha dos Homens-Peixe, há poucos antagonistas para lutarem contra alguns integrantes do Bando do Chapéu de Palha. O desafio de cada um deles se concentra mais em escapar de situações adversas (e mortais). No entanto, há batalhas interessantes protagonizadas por personagens novos ou que já apareceram em One Piece anteriormente. Tais personagens são responsáveis pelo desenrolar de eventos que aos poucos descortinam esse novo cenário de One Piece, criando expectativa para os próximos arcos.

Echii ainda é (quase) um problema

Embora seja algo razoavelmente esperado em mangás shonen, o echii pouco aparecia nos primeiros arcos de One Piece. Contudo, o aumento dos seios da Nami e Robin após o timeskip já começaram a dar indícios de que a proporção de fanservice masculino está atraindo a atenção que não devia. Piadas de cunho sexual ou enquadramento em seios e bundas não são necessariamente ruins, se esses elementos forem usados de forma coerente e inteligente com o que está sendo mostrado.

Exemplo de bom uso: Law, um dos piratas que volta a aparecer em Punk Hazard, troca os corpos de alguns membros do Bando do Chapéu de Palha. Nisso, a mente do Sanji (que é o personagem que encarna o estereótipo tarado de shonen) vai parar no corpo da Nami. A situação de homem em corpo de mulher e vice-versa é um recurso já há muito utilizado em histórias de comédia romântica; então você já imagina a quantidade de cenas cômicas que virá disso, e praticamente todas elas são efetivas.

Exemplo de mau uso: Law também troca os corpos de Smoker e Tachigi. A vice-comandante se veste de forma meio recatada, porém, quando o comandante entra no corpo dela, o cara simplesmente desabotoa a blusa e deixa metade dos seios à mostra na frente de todos os subordinados, em uma caverna de uma ilha cheia de neve. Não existe lógica alguma nisso. É o fanservice sexista pelo fanservice sexista, para mostrar como a Tachigi tem (desnecessariamente) seios enormes (como várias outras personagens de One Piece).

Volumes lidos para essa resenha:

Volume 66 / Volume 67 / Volume 68 / Volume 69 / Volume 70